quarta-feira, setembro 28, 2005
Causo
terça-feira, setembro 20, 2005
A filosofia é pop, mas não pode ser burra
Data: Mon, 19 Sep 2005 18:25:50 +0000 (GMT)
De: Paulo Ghiraldelli Jr
Assunto: A filosofia é pop, mas não poder ser burra
A filosofia é pop, mas não pode ser burra
Filosofia no "Fantástico", do modo que está, é burra. É tudo, menos filosofia. Filosofia em manuais é necessário. Mas em manuais toscos, é o que menos precisamos.
As pessoas procuram a área de filosofia. Sim, procuram. Há a idéia de que o filósofo, de todos os que transitam nas Humanidades, é o que é melhor formado, o que "restou" de uma "época de ouro" no ensino brasileiro. Em parte isso é verdade. Quem procura a filosofia o faz por motivos estritamente ligados ao saber, à curiosidade, então, em geral é alguém que lê, que leva a filosofia a sério. Mas é tolice pensar que só por isso qualquer um que fez o curso de filosofia ou que escreveu algo em filosofia pode fazer divulgação filosófica de modo correto.
A divulgação em filosofia demanda um filosófo mais bem preparado que o filósofo que faz pesquisa no mundo acadêmico. Os grandes filósofos foram os melhores divulgadores da filosofia. Descartes, Sartre e Rorty - todos eles, para não citar um bocado de outros, fizeram textos de suas filosofias para o grande público. Tiveram sucesso nisso.
Uma coisa é dar palestrinhas que criam a "sensação subjetiva", em quem assiste, de que se está aprendendo filosofia ou, pior, se está filosofando, outra coisa é gerar uma forma de exposição clara, didática, mas correta, que realmente coloca quem assiste no rumo da filosofia. Há quem pesquise e escreva sobre filosofia, mas não possui maturidade intelectual para divulgar filosofia de modo eficaz e correto. Há quem divulgue, mas não seja realmente bem ilustrado e profundo para isso.
Os países que democratizaram o seu ensino de um modo geral são os que conseguiram gerar filósofos capazes de textos de profundidade e, ao mesmo tempo, textos de divulgação ou de "formação". Os Estados Unidos são um exemplo disso, hoje, mais que os europeus.
Os norte-americanos fazem muitos manuais bem feitos. Fazem programas na TV, de filosofia, que são bons e para um grande público. No Brasil os manuais apenas repetem uma velha e cansativa história da filosofia que leva à falsa erudição. E o que se faz na TV sobre filosofia, mesmo nos canais culturais, parece ou um repeteco de aulas bem cansativas e sem qualquer objetivo ou, então, são o "samba do crioulo doido" do Fantástico.
Pessoas repetindo "é melhor ser que ter" ou "o pensar liberta" é o que resulta do Fantástico. Pessoas criando frases como "o neoliberalismo e a globalização condenam todos nós" para colocar em dissertações e teses de uma academia que exige títulos sem conhecimento é o que resulta das aulas das TVs culturais.
Estamos sem jornalistas culturais sérios. Falta no mercado bons professores de filosofia que saibam usar a filosofia, que saibam colocá-la nas mãos das pessoas sem que isso se transforme em bobagem de auto ajuda. No momento que estamos vivendo, que é a época onde os "filósofos brasileiros" recomendados viraram papagaios de pirata - ou de FHC ou de Lula - e não enxergam um palmo na frente do nariz, é fácil que um bando de imbecis venha a dizer que "a questão do ser" é importante - na TV. É marmelada. O Chacrinha filosofava melhor.
As escolas de filosofia deveriam começar a se preocupar com o jornalismo cultural, também na área de filosofia. Todas as faculdades de filosofia deveriam pensar seriamente nisso.
Paulo Ghiraldelli Jr. é filósofo e autor de Caminhos da filosofia (Rio de Janeiro: DPA, 2005). Copordenador do GT-Pragmatismo da Associação Nacional de Pós-graduação em Filosofia (ANPOF).
quarta-feira, agosto 17, 2005
MUDAR
Parabéns pelo post!
Muito bem redigido, bastante historico e pertinente ao assunto que nos mais apraz neste século: A mudança de paradigmas e a estagnação do paradigma cartesiano.
Concordo com você, pois precisamos dessa mudança e acredito que desde por volta de 1927 o conceito racionalista cartesiano está por definhar em meio a sociedade ocidental.
Temos agora no seculo XXI a volta da retórica, mas não a retorica classica, retorica como dialética e forma de argumentação. Dando uma visão mais pragmatica á filosofia e colocando-a no campo da possibilidade, no horizonte do verossimil.
Reafirmo: vemos o fim da metafisica e a ética e precisamos fazer algo para que a filosofia não morra.
Mudar os paradigmas?
Talvez?
Mas sim : MUDAR!
Um abraço a todos!
terça-feira, agosto 16, 2005
O salto paradigmático
Com a revolução copérnica da astronomia, e a derrocada da visão de mundo aristotélica, o elementarismo insurge contra a filosofia escolástica e seu método dedutivo, doravante, partindo dos elementos para o todo. Consoante o desenvolvimento dos vários campos científicos existentes, surgem novas disciplinas, e assim a física matemática toma corpo, através das idéias de Issac Newton.
Na filosofia, o Discurso do método de Descartes, levara os homens de sabedoria a repensar os fundamentos de toda uma época, possibilitando o surgimento de novos paradigmas.
Estabelecido, a princípio, pelas idéias de Newton e René Descartes na física e na filosofia, o reducionismo mecanicista preconizara um universo estático, sustentado por leis da mecânica e explicado como tal. O mundo físico, assim como uma máquina, seria descrito a partir de seus componentes básicos os quais, acreditava-se, responderiam pelo conhecimento do todo. A ampla aplicabilidade do novo método em favor do desenvolvimento científico, levara as ciências humanas a tomá-lo como modelo, não obstante as diferenças, no uso de pressupostos semelhantes. O físico Fritjfof Capra oferece-nos mais detalhes:
“Desde o século XVII a física tem sido o exemplo brilhante de uma ciência ´exata´, servindo como modelo para todas as outras ciências. Durante dois séculos e meio os físicos se utilizaram de uma visão mecanicista de mundo [...] visto como uma profusão de objetos separados montados numa gigantesca máquina. ...acreditava-se que os fenômenos complexos podiam ser sempre entendidos desde que se os reduzisse a seus componentes básicos e se investigasse os mecanismos através dos quais esses componentes interagem [...]. As outras ciências aceitaram os pontos de vista mecanicista e reducionista da física clássica como a descrição correta da realidade [...]. Os psicólogos, sociólogos e economistas, ao tentarem ser científicos, sempre se voltaram naturalmente para os conceitos básicos da física newtoniana (Capra, 1987, pág.44).
A visão de mundo arcaica tornara-se um engodo. De fato, a dedução, e não o experimento determinara, por séculos, o que deveria ser aceito quanto ao mundo natural e seus processos. A curiosa noção de testar a teoria empiricamente ainda não tinha adquirido raízes. Não é para surpreender, portanto, o fato de que a tecnologia avançasse tão lentamente no período medieval.
Os filósofos iluministas recusaram-se veementemente a formular hipóteses de cunho metafísico sobre a natureza, como o era na idade média. “O programa do iluminismo era o de livrar o mundo do feitiço. Sua pretensão, a de dissolver os mitos e anular a imaginação por meio do saber” (Adorno, 2005, pág.17). O Teocentrismo cedera lugar ao império humano; a renascença reflorescera o antropocentrismo grego, e Deus, tal como uma muleta, fora abandonado pelo caminho. Nos dizeres de Voltaire, em sua peça Édipo:
“Confiemos em nós mesmos, olhemos com os nossos próprios olhos; Sejam estes nossos oráculos, nossas trípodes e nossos deuses” (citado em Durant, 1962, pág. 200).
O mundo escolástico fora soterrado pelo desenvolvimento mil vezes mais seguro e mais palpável dos telescópios, da navegação e do espírito racional. Era possível agora calcular, pesar, medir e observar. O empirismo invadira o mundo científico e a mensuração, a objetividade e a experimentação pragmática, tornaram-se os marcadores indeléveis de um novo tempo, uma nova sociedade, sustentada pela fé no cientificismo. O espírito moderno, como que numa contra-reação ao holismo medieval, restringira-se aos fatos, aos dados empíricos, e por meio deles formulara suas teorias indutivas. Cada homem de ciência definira seu escopo, se a física, se a biologia, se a medicina, etc. fragmentando-se e afastando-se da idéia de totalidade. Mas ao mesmo tempo, curiosamente, mantinha-se aceso o sonho manifesto de, através de um mínimo ponto, abranger todo o universo. Nas palavras de Will Durant:
“O conhecimento humano tornou-se muito grande para a mente humana. O que ficou foi o especialista científico que ´conhece mais e mais a respeito de menos e menos`. [...] O especialista armou-se de viseiras para restringir o campo da visão; some-se o mundo para que fique um pontinho só a esmiuçar. [...] ´Fatos` substituíram a compreensão; e o conhecimento, cindido em mil partes isoladas, não mais deu como resultado sabedoria. Cada ciência e cada ramo da filosofia geraram uma terminologia técnica apenas inteligível para os iniciados; quanto mais o homem aprendia sobre o mundo menos se achava apto a exprimir aos outros a coisa que tinha aprendido” (Durant, 1962, págs. 5 e 6).
A especialização trouxe um avanço nunca antes esperado. O uso a esmo da matemática e do método estatístico, bem como dos pressupostos da física newtoniana, fortaleceram a investigação sobre a natureza. Com o progresso tecnológico e intelectual, foi possível libertar o homem da estagnação obscurantista, e reaver o tempo perdido.
A rápida expansão cientificista, porém, nos ofuscara a crítica, e o crescimento informacional absurdo reduzira ainda mais o campo das averiguações. Cada qual trabalhando isoladamente, envolto em seu objeto, perdera de vista os efeitos em escala global. A síntese fora execrada e o reducionismo tornou-se a lei. Os problemas mundiais pareciam agora insolúveis, vistos de maneira elementar. A ciência já não poderia conter o expansionismo, e num interessante revés, libertos do medo mágico, tornamo-nos vítimas de uma nova armadilha: o progresso da dominação técnica. A indústria cultural utilizara-se dos recursos provenientes do desenvolvimento científico para alienar as massas, e assim o crescimento econômico capitalista juntara-se à ciência com o mesmo intuito de controlar e expandir-se ainda mais. Paralelamente, numa tentativa funesta, cindimos homem e natureza, posicionando-nos contra o espírito ecológico, inimigo da evolução desenfreada:
“Tendo dominado o ambiente ecológico, parece que o homem deslocou as questões de sua sobrevivência para o plano das relações com seus semelhantes. E aí também parece que a contribuição das ciências não tem sido suficientes ou adequadas para afastar de nossa civilização o risco real de sua própria extinção” (Vasconcellos, 2002, pág.17).
As guerras mundiais, o nazismo e o stalinismo nos provaram uma falha gravíssima no racionalismo iluminista. Que luzes se não a de canhões e de tiros alvejando pelo ar? Que glórias senão a de uma vitória sobre a natureza e, portanto, sobre nós mesmos? A razão, o logos, outrora nosso mártir, nos traíra. Lá estava agora a fundamentar a luta entre povos inteiros, em prol de uma “verdade universal”.
A guerra fria e a corrida espacial nos trouxera o estranho paradoxo do homem na lua, envolto pelo sonho de uma civilização inter-estelar, enquanto a humanidade terrena lograva libertar-se da extinção unânime, presa de uma decisão internacional tão fria quanto o aço das indústrias.
Mas a simples queda do muro de Berlim não fora o suficiente para instaurar a paz. A ameaça persistira, e nos atuais conflitos entre ocidente e oriente, reside o perigo de novas perdas.
Por de trás da guerra, há sempre o cientificismo, a fornecer-lhe o combustível necessário. O reducionismo das teorias atingira o pensamento das massas, e hoje nos sentimos separados de todo o resto. A fragmentação do método levou à fragmentação humana, e a indução gerou o nacionalismo pretensioso, disposto a universalizar-se como verdade de todos, tal qual desejam os EUA.
O tempo, todavia, reservara-nos surpresas insuspeitadas. A história, como que girando sobre si mesma, resgatara a visão de mundo totalizante, não mais ancorada no medievalismo dogmático, mas no convés da própria ciência. Assim, o que seria apenas uma grave mudança no pensamento científico, tornou-se verdadeira revolução na maneira como compreendemo-nos a nós mesmos em relação à natureza. Vejamos a seguir.
1.1. O conceito de paradigma e as descobertas da física moderna
De acordo com o filósofo Thomas Kuhn, a ciência não segue um progresso contínuo e ininterrupto. Seu desenvolvimento se dá através de “saltos” ou revoluções que determinam paradigmas específicos, os quais delineiam toda a série de pesquisas em um dado momento histórico (Khun, 1970). O termo paradigma vem do grego (paradeigma) e significa “Padrão”. Este forma não só um modelo sob o qual os pesquisadores estruturam suas hipóteses de trabalho, mas também toda uma modalidade de pensamento sócio-cultural, que perdura mais ou menos tempo, até finalmente tornar-se um entrave. Khun define os paradigmas como estruturas conceituais e temporais implícitas nas teorias científicas, por representarem toda uma forma de compreensão e raciocínio, subjacente às pesquisas.
Atualmente, ao que parece, como quando da renascença e da revolução copérnica, uma profunda mudança paradigmática vem afetando inúmeros setores. A insuficiência e limitação do reducionismo têm-se mostrado mais claras, no que tange a uma série de fatores, inabordáveis de um ponto de vista fragmentário ou indutivo. Como afirmara o biofísico Ludwig Von Bertalanffy:
“Podemos afiançar, como característica da ciência moderna, que o plano das unidades isoláveis agindo numa causalidade de um sentido revelou-se insuficiente. Daí o aparecimento, em todos os campos da ciência, de noções como totalidade, holismo, organísmico, gestalt, etc; todos os quais significam que, em última instância, precisamos pensar em função de sistemas de elementos em mútua interação” (Bertalanffy, 1997).
A fenomenologia, e principalmente a abordagem sistêmica, nos mostraram que o todo possui uma dinâmica própria, diferentemente da simples soma de suas partes. As pesquisas em Cibernética, psicologia da Gestalt, e as descobertas da física moderna nos trouxeram de volta a uma noção de mundo totalizante. Os instrumentos, cada vez mais precisos, descobriram o que o universo não era: as leis de Newton provaram ser aproximadamente verdadeiras. O universo tido com algo facilmente compreensível e realmente bastante simples, de repente revelou-se aos físicos, um tanto mais estranho e complexo do que imaginavam. Conquanto uma grande parte das contribuições trazidas pela teoria clássica tenha se mantido, a visão de mundo reducionista mostrara-se incapaz de fornecer uma melhor descrição da realidade. Destarte, a física passara, aos poucos, de um ponto de vista fragmentário, para a idéia cada vez mais próxima de um universo dinâmico, em que os elementos interagem, de modo a originar um todo:
“A concepção do universo como uma rede interligada de relações é um dos dois temas tratados com maior freqüência na física moderna. O outro tema é a compreensão de que a rede cósmica é intrinsecamente dinâmica [...]. As propriedades de seus modelos básicos, as partículas subatômicas, só podem ser entendidas num contexto dinâmico, em termos de movimento, interação e transformação (Capra, 1987, pág. 82).
Essa importante descoberta derivara de outras constatações não menos cruciais, como o princípio da incerteza, atribuído à Heinsenberg. Ao estudarem partículas ínfimas como os átomos, os físicos depararam-se com paradoxos que não conseguiam resolver de maneira objetiva, ao mesmo tempo em que não viam como atribuí-los à própria natureza. Cada vez que procuravam descrever o movimento de uma partícula, o faziam de maneira oposta, o que levou Heinsenberg à conclusão de que é impossível separar sujeito e objeto, contrariando a clássica divisão cartesiana. A mente do observador influi na concepção que se tem da partícula, e a altera indefinidamente. Não haveria, então, como definir de modo exato o movimento de um elétron, por exemplo, que ora pode se manifestar como onda, para noutro instante manifestar-se como partícula, de fato:
“Se formulo uma pergunta sobre a partícula, ele [o elétron] me dá uma resposta sobre a partícula; se faço uma pergunta sobre a onda, ele me dá uma resposta sobre a onda. O elétron não possui propriedades objetivas independentes da minha mente. Na física atômica, não pode mais ser mantida a nítida divisão cartesiana entre matéria e mente, entre o observado e o observador. Nunca podemos falar sobre a natureza sem, ao mesmo tempo, falarmos sobre nós mesmos.” (Capra, 1987, pág. 81).
A história nos pregara uma peça: a exploração do meio ambiente “em nome da ciência” provou ser uma das nossas maiores mentiras! O observador influencia sempre, e modifica também o observado. O universo e seus habitantes estão inextricavelmente ligados num todo: tudo é relacionado. A separação entre homem e meio ambiente é uma ilusão que criamos a nós próprios! Nenhum cientista encontra-se inteiramente livre de responsabilidades pelas experiências que efetua, e a idéia de neutralidade, presente na ciência oficial, tornou-se um mito:
“Ao transcender a divisão cartesiana, a física moderna não só invalidou o ideal clássico de uma descrição objetiva da natureza, mas também desafiou o mito da ciência isenta de valores. Os modelos que os cientistas observam na natureza, estão intimamente relacionados com os modelos em sua mente – com seus conceitos, pensamentos e valores. Assim, os resultados científicos que eles e as aplicações tecnológicas que investigam serão condicionados por sua estrutura mental. Embora muitas de suas detalhadas pesquisas não dependam explicitamente do seu sistema de valores, o paradigma maior dentro do qual essas pesquisas são levadas a efeito nunca está isento de valores. Portanto, os cientistas são responsáveis por suas pesquisas, intelectual e moralmente.” (Capra, 1987, pág.82).
As pesquisas subseqüentes, e as teorias de físicos renomados como Niels Bohr e Max Plank, demonstraram a insuficiência dos postulados anteriores, e a necessidade de se observar um sistema, não mais em termos de partes independentes, mas de uma visão da totalidade. Questões como o princípio da causalidade, a noção espaço-temporal, o conceito de matéria e energia, a concepção de mundo mecânica e fragmentária, a redução dos fenômenos a processos meramente quantitativos e mesmo a cisão entre sujeito e objeto tiveram de ser repensadas.
Os físicos perceberam que não havia como oferecer uma descrição exata e objetiva dos fenômenos de que estavam tratando. Era preciso contentar-se com modelos hipotéticos, sabendo que representavam meramente um mapa, e não o território em si. A ciência tradicional tornou-se “inadequada para lidarmos com situações complexas, instáveis, que exigem que reconheçamos nossa própria participação no curso dos acontecimentos” (Vasconcellos, 2002, pág.22).
A revolução da física quântica nos trouxe assim, de volta a profundas reflexões sobre o alcance do método científico. Até que ponto o modelo newtoniano oferece uma base segura às várias disciplinas e quais os limites dessa visão para com a ciência em geral? Visto que uma considerável parcela mantém-se ainda estruturada conforme o ponto de vista newtoniano, quais as limitações que se apresentam, nos respectivos contextos? Em suas obras, Capra tem tratado dessas repercussões, e seus estudos revelam uma deficiência tão grande quanto à encontrada na física clássica.
“Estou afirmando que estamos em meio a uma mudança de paradigma; o velho paradigma é a visão de mundo cartesiana, newtoniana, a visão de mundo mecanicista. O novo paradigma é o holístico, a visão de mundo ecológica. Precisamos dessa mudança de percepção. Nossa sociedade, nossas corporações, nossa economia, nossa tecnologia, nossa política, estão todas estruturadas de acordo com o velho paradigma cartesiano. Precisamos de mudança” (Wilber. pág.225).
sábado, agosto 13, 2005
Filosofia da Informação
sexta-feira, julho 29, 2005
Apenas um adendo
"(...) A liberdade do homem está na escolha entre dois aspectos de existência:
a Falsa e a Autêntica. A existência falsa é a dos homens que estão perdidos no mundo, na vida cotidiana, daqueles que se concentram sobre os objetos deste mundo, que condicionam sua felicidade num mundo que é uma realidade vazia de sentido. Só tecnicamnete ultilizável. Cabe ao homem fugir deste estado e passar para a existência autêntica que é um ultrapassar constante daquilo que se é. É realizar-se. Só se existe pela livre realização de um mais ser.(...)"
Jean Paul Sartre
sábado, junho 11, 2005
Mundo
Aqui estou novamente, pensativo e de certa forma, melancôlico.
Desta vez vou escrever sobre algo que estou a analizar há um bom tempo.
Quantos mundos existem nesse mundo em que vivemos?
Não estou falando de Matrix ou 13° andar (diga-se de passagem, ótimos filmes), isso não tem nada a ver com eles. Não estou falando de uma ficção existencial ou mesmo, tendo uma crise existêncial (o que é comum a muito estudante de filosofia). Estou falando de realidades que compõe esse mundo em que vivemos. Estou falando de várias variáveis (que é o nome de música de uma banda de rock dos anos 80. Sinto uma nostalgia tremenda ao lembrar dessa década, um saudosismo pulsante, percorre cada veia e artéria de meu corpo no momento em que penso como era feliz e não sabia. Aquele era um mundo em que seria interessante reviver, e se fosse com a cabeça que tenho hoje, muita coisa seria diferente, mas como disse, isso não é uma crise existêncial, então sigamos em frente), que fazem esse mundo ser de maneiras diversas para todo tipo de gente.
Numa aula da semana passada, começamos a falar sobre Leibniz (filósofo moderno, matemático também) que escreveu sobre muita coisa, mas o interessante agora, é que ele, num desse escritos, disse que esse mundo era o melhor entre os mundos possíveis. Para Leibniz, Deus criou esse mundo com tudo de bom, muitos perguntaram por que existem coisas más e ele disse que essa maldade é a menor possível. Interessante esse ponto de vista, mas contraditório. Sendo Deus perfeito, que criou um mundo perfeito, por que cria um ser imperfeito (nós) capaz de fazer maldades? Que Deus sacana é esse(Isso não é um desabafo ou reclamação de um ateu obsecado em falar mal de Alguém que (para ele) não existe, aliás, acredito em Deus, sou cristão, fransciscano e minha crença é muito bem resolvida, não tenho problemas quanto a isso)?
Existem muitos mundos. Aquele no qual eu vivo e no qual você (que está lendo) vive. Um camarada que tem pai, mãe, irmãs, irmãos, que tem uma vida cheia de altos e baixos, mas que tem uma familia e amigos, vive num mundo diferente daquele camarada que se ferra deste pequeno, que aprende a não acreditar em todos que passam por sua vida, esse aprende que a lei do mundo, da selva, é a lei do mais forte e mais esperto, cada um por si e Deus por todos (as vezes nem Deus). Aquele que vive com a familia, aprende essa lei também, mas sabe que existe no mundo, pessoas em que pode confiar. O mais interessante, é que esses dois mundos, existem de verdade, há muita gente safada por ai, mas há gente integra também e todos tem o direito de acreditar que seu mundo é o verdadeiro. Aquele que vive entre as cobras, acha que o que vive entre pessoas "confiáveis", é um inocente bobo e fraco e o outro, acha que esse é um pessimista que só sabe reclamar. É pertinente ressaltar mais uma coisa. O mundo interfere sim na conduta do indivíduo, mas isso não ocorre em 100% dos casos, já conheci "neguim" que se ferra e é muito gente boa e otimista, enquanto aquele que recebe carinho e atênção, é um grande filho da P...
Mundos e mundos, qual você vive? Existem muitos outros, mas o importante é todos viverem da melhor maneira possível em seu mundo.
Carpe diem para todos e memento mori também.
quarta-feira, maio 25, 2005
Existo, sinto logo Penso!
sexta-feira, abril 15, 2005
“Ai, o tempo dos pensadores parece já ter passado”
Com essa frase, Kierkegaard faz uma crítica aguda aos pretensos pensadores de sua época e deixa claro que não queria colecionar muitos amigos, mas sim encontrar o caminho (pois a verdade era um caminho) para explicar o que era o amor, ou melhor, o elogio ao amor (o estádio religioso, declarado, falando de Deus, é claro). Já naquela época ele se incomodava com as respostas instantâneas dos pensadores, que mais pareciam cientistas. A reflexão, a calma, a paciência, a dedicação ao objeto de estudo estavam já há muito perdidas. É, ele realmente foi um Pensador, e ele sim, com “P” maiúsculo.
quarta-feira, abril 13, 2005
A escolha
segunda-feira, abril 04, 2005
A utilidade do "rabo preso"
Enquanto isso, há uma comoção mundial, e ao mesmo tempo uma temerária expectativa. Momento muito propício para relembrar a teoria do “rabo preso” de David Hume, claro que ele preferia chamar de utilitarismo, este sempre enaltecido pela benevolência, mas para mim, prefiro mesmo a classificação de rabo preso. Amigos, confiem em mim, como vai ter gente nova aparecendo e querendo ser útil neste momento histórico pelo qual estamos passando.
segunda-feira, janeiro 10, 2005
Caros companheiro de classe
Quem já leu ou está lendo os livros pedidos levantem a mão, no meu caso vou continuar teclando e manter minhas mão abaixadas, mas isso não me assusta.
Mais um ano começa, mas acho interessante pensar também que mais um ano se foi e assim vai nossa vida, com começos e fins, as vezes sem meios.
Um abraço a todos e com saudades eu ja espero voltar ao convívio com aqueles que buscam a verdade.
terça-feira, dezembro 14, 2004
A Razão pura não existe!
E qual é a finalidade última da memória?
Um abraço a todos!
terça-feira, novembro 30, 2004
O Esteta versus O Hedonista
sexta-feira, novembro 19, 2004
A nova Hermenêutica da Caverna
Será?
terça-feira, novembro 16, 2004
Ignorância
Sendo bem direto talvez seja uma boa idéia.
A ignorância é uma das responsáveis pelo mal andamento do mundo, digo isso pelos seguintes motivos: O ser humano critica e repudia aquilo que não entende ou não conhece.
O ser humano caçoa e maltrata aqueles que não estão do mesmo lado.
O ser humano não se importa com aquilo que não lhe diz respeito.
O ser humano acredita que ao estar em melhor posição, os outros são meros coadjuvantes.
O ser humano não respeita aquele que não compartilha de sua opinião.
O ser humano é intolerante com tudo que lhe chateia.
O ser humano não procura saber as verdadeiras razões de tudo que acontece.
Existe mais situações, mas deixarei só essas. Por enquanto.
Alguns devem estar se perguntando se sou um revoltado ou se detesto a raça humana.
A questão é, estou simplesmente escrevendo o que vejo.
O homem é um ser extraordinário, com capacidade de fazer tudo o que quizer. É um ser dotado de uma conceitualização formidavel, seguida de um entendimento sem precedentes.
Não estou escrevendo para difamar a humanidade, estou escrevendo sobre um de seus males, posteriormente escreverei sobre seus bens.
A ignorância nasce de diversos aspectos, como o desconhecimento e a brutalidade.
Quando não se tem conhecimento de algo, o ignorante começa a falar bobeira.
Quando uma conversa se torna acalorada, o ignorante começa a xingar e gritar.
A razão some e o que sobra é algo vergonhoso e monstruoso as vezes.
domingo, outubro 31, 2004
Para além do campo visual
quinta-feira, outubro 28, 2004
Místico?
Místicos ou Filósofos?
Parece que o Sr. Bertrand Russel em seu livro "Significado e Verdade", no cap.XXV pág 301 acredita pensar que existem três tipos de Filósofos:A- Os que inferem propriedades do mundo a partir de propriedades da linguagem. estes formam um grupo muito ilustre que inclui Parmênides, Platão, Spinoza, Leibniz, Hegel e Bradley.B- Os que sustentam que o conhecimento é apenas de palavras. Entre estes estão os nominalistas e alguns positivistas lógicos.C- Os que sustentam que há conhecimento não exprimivel em palavras, e usam palavras para dizer-nos o que é esse conhecimento. Entre este incluem os místicos Bergson e Wittgenstein , além de certos aspectos de Hegel e Bradley.Segundo Russel: O segundo deste três grupos malogra pelo fato empírico de que este não é um fato verbal, embora seja indispensável aos verbalistas. O terceiro, dos místicos, pode ser rejeitado como autocontraditorio. Russel só tira proveito do primeiro grupo onde ele acredita haver uma correspondencia da verdade. Bom mas como Russel pode ser tão pretencioso em afirmar que não se pode tirar verdades daquilo que é inexprimivel?Digamos que a Ética e a Metafísica são inexprimivel pois estas só podem ser mostradas e não ditas segundo a lógica do Tractatus. Ou seja se cairmos na ilusão de dizer o que é a essencia das coisas, das palavras e do comportamneto falhamos na medida em que estas estão "presas' ao eu transcendental (diferente de Freud; pseudo-eu) ao mundo como representação, à existência (Dasein), a razão Pura (conhecimento a priori do mundo). Podemos sobre esta ótica apenas de-monstrar o ponto observavel que nos foi empiricamente dado. E não dizer o inexprimivel, aquilo que não pode ser dito. Então se somos classificados como místicos devo me calar para a filosofia e contemplar o belo silêncio da minha total ignorância.
sábado, outubro 23, 2004
Ensaio sobre a fé
Primeiro Tomo
Um homem, ao nascer, adquire algumas habilidades que ninguém mais as pode retirar, salvo se o matar. Dentre essas habilidades, está o instinto, que neste momento, é o que impera, pois ele, o homem ainda não foi inserido numa cultura predominante.Esse inatismo é predominante até que o processo cultural seja estabelecido, mas o que importa neste ensaio é o fato de se poder perceber que as aptidões racionais humanas já nascem conosco, como a luta pela sobrevivência, e neste caso não se trata de uma luta contra outrem, mas sim, uma luta a favor ou pelo favor de outros, já que o homem é um dos animais mais frágeis que a natureza conhece enquanto “filhote”.
Verifica-se que o homem desde cedo precisa de alguém, e dependendo do processo ao qual fica inserido, ficará sempre preso a quem quer que seja.
Nesse estágio não existe fé, não existe uma crença em alguém ou algo no sentido religioso ou teológico, existe sim uma dependência física e que nada tem a ver com a dependência de um Deus para ser o centro de suas crenças e esperanças.
Então a fé, como muitos a praticam e conceituam atualmente advém de fatos externos e não internos, pois uma pessoa com fome não precisa de fé, mas sim de comida, e da mesma forma acontece com todas as necessidades físicas, fisiológicas e sexuais. A fé nasce dentro de um contexto social e familiar como um padrão de comportamento a ser seguido de maneira imposta, e sem qualquer possibilidade de escolha. O homem então passa a não ser mais o dono de suas necessidades e se vê como um fantoche ou como um prisioneiro dentro de seu próprio eu, sendo que essa prisão e essas cordas foram colocadas por outrem, mas sem que ele tenha se manifestado contrariamente. É nesse ponto que a fé começa a agir com mais intensidade e o homem se perde, pois se policia o tempo todo, controla-se e censura-se, uma vez que sempre há algo ou alguém dito superior que o vai julgar sobre determinados atos. O interessante é que a fé tende a agir de forma negativa e não positiva. Creio mesmo que a fé enquanto um instrumento de alívio ou bem-estar espiritual só pode ser realmente compreendida por teólogos e/ou cristãos mais ortodoxo.
Imaginemos um homem que nasce livre, escolhe e sacia todas as suas necessidades mais básicas, mas que se vê na obrigação de seguir algo que lhe é imposto e que não se pode comprovar, garantir ou provar usando argumentos racionais, lógicos, claros e objetivos.
A fé controla o homem e não o homem a fé. Fé, que traduzindo do termo latino Fides tem os seguintes significados: fé, boa fé, lealdade, sinceridade; veracidade, consciência, retidão, fidelidade, honra, dever, justiça, honestidade, integridade, probidade, dentre outros sinônimos. Logo, não há como ter a inocente impressão de a fé ser uma coisa boa em si, pois no seu significado encontramos imposições, controles, limites e arrisco-me a dizer, obrigações para seus praticantes.
