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sexta-feira, julho 29, 2005

Apenas um adendo

"(...)Considerando a angustia e o desespero que nos aterrorizam ante o fluir de nossa vida, diz que ficamos suspensos, prisioneiros do nada e vem-nos o sentimento de indiferença e de tédio. Mas esses sentimentos podem constituir uma passagem da existência falsa para a autêntica. A esperança não floresce senão sobre o solo do desespero.(...)" Gabriel Marcel

"(...) A liberdade do homem está na escolha entre dois aspectos de existência:
a Falsa e a Autêntica. A existência falsa é a dos homens que estão perdidos no mundo, na vida cotidiana, daqueles que se concentram sobre os objetos deste mundo, que condicionam sua felicidade num mundo que é uma realidade vazia de sentido. Só tecnicamnete ultilizável. Cabe ao homem fugir deste estado e passar para a existência autêntica que é um ultrapassar constante daquilo que se é. É realizar-se. Só se existe pela livre realização de um mais ser.(...)"
Jean Paul Sartre

sábado, junho 11, 2005

Mundo

Diário do Capitão - Data Estelar - 20051604

Aqui estou novamente, pensativo e de certa forma, melancôlico.
Desta vez vou escrever sobre algo que estou a analizar há um bom tempo.
Quantos mundos existem nesse mundo em que vivemos?
Não estou falando de Matrix ou 13° andar (diga-se de passagem, ótimos filmes), isso não tem nada a ver com eles. Não estou falando de uma ficção existencial ou mesmo, tendo uma crise existêncial (o que é comum a muito estudante de filosofia). Estou falando de realidades que compõe esse mundo em que vivemos. Estou falando de várias variáveis (que é o nome de música de uma banda de rock dos anos 80. Sinto uma nostalgia tremenda ao lembrar dessa década, um saudosismo pulsante, percorre cada veia e artéria de meu corpo no momento em que penso como era feliz e não sabia. Aquele era um mundo em que seria interessante reviver, e se fosse com a cabeça que tenho hoje, muita coisa seria diferente, mas como disse, isso não é uma crise existêncial, então sigamos em frente), que fazem esse mundo ser de maneiras diversas para todo tipo de gente.
Numa aula da semana passada, começamos a falar sobre Leibniz (filósofo moderno, matemático também) que escreveu sobre muita coisa, mas o interessante agora, é que ele, num desse escritos, disse que esse mundo era o melhor entre os mundos possíveis. Para Leibniz, Deus criou esse mundo com tudo de bom, muitos perguntaram por que existem coisas más e ele disse que essa maldade é a menor possível. Interessante esse ponto de vista, mas contraditório. Sendo Deus perfeito, que criou um mundo perfeito, por que cria um ser imperfeito (nós) capaz de fazer maldades? Que Deus sacana é esse(Isso não é um desabafo ou reclamação de um ateu obsecado em falar mal de Alguém que (para ele) não existe, aliás, acredito em Deus, sou cristão, fransciscano e minha crença é muito bem resolvida, não tenho problemas quanto a isso)?
Existem muitos mundos. Aquele no qual eu vivo e no qual você (que está lendo) vive. Um camarada que tem pai, mãe, irmãs, irmãos, que tem uma vida cheia de altos e baixos, mas que tem uma familia e amigos, vive num mundo diferente daquele camarada que se ferra deste pequeno, que aprende a não acreditar em todos que passam por sua vida, esse aprende que a lei do mundo, da selva, é a lei do mais forte e mais esperto, cada um por si e Deus por todos (as vezes nem Deus). Aquele que vive com a familia, aprende essa lei também, mas sabe que existe no mundo, pessoas em que pode confiar. O mais interessante, é que esses dois mundos, existem de verdade, há muita gente safada por ai, mas há gente integra também e todos tem o direito de acreditar que seu mundo é o verdadeiro. Aquele que vive entre as cobras, acha que o que vive entre pessoas "confiáveis", é um inocente bobo e fraco e o outro, acha que esse é um pessimista que só sabe reclamar. É pertinente ressaltar mais uma coisa. O mundo interfere sim na conduta do indivíduo, mas isso não ocorre em 100% dos casos, já conheci "neguim" que se ferra e é muito gente boa e otimista, enquanto aquele que recebe carinho e atênção, é um grande filho da P...
Mundos e mundos, qual você vive? Existem muitos outros, mas o importante é todos viverem da melhor maneira possível em seu mundo.
Carpe diem para todos e memento mori também.

quarta-feira, maio 25, 2005

Existo, sinto logo Penso!

Seria então o cogito de Descartes uma espécie de falsidade ideológica? Esta é a pergunta que em maior freqüência escuto após o artigo sobre a “A Razão Pura não existe”. Mas a exaltação cartesiana na razão construiu as bases para o pensamento moderno, e foi no dualismo mente corpo que o abismo se tornou maior, pois a mente, ou seja, o pensar foi concebido como uma atividade fora do corpo. Desse modo se para pensar e tomar decisões corretas seria preciso manter a cabeça fria e afastar todos os sentimentos e emoções? Errado! Descarte deveria ter que dizer: ”Existo, sinto logo penso”.E a grande parte dos seus problemas não resolvidos, dentre eles o seu Inatismo tanto combatido não teriam existido. Vejamos melhor, a razão como capacidade humana de pensar seria a responsável pelo pensar o certo e/ou o errado? Vimos nos artigos anteriores que a faculdade da razão foi transformada em uma convenção de associação de idéias realizadas na memória humana. Vimos também que a memória é adquirida só após ter se passado pela experiência, pois esta é que lhe dará a lembrança de algo. Estamos falando aqui de todo e qualquer tipo de lembranças, pois sabemos hoje que o próprio DNA contém lembrança e esta depois vai acarretar no diz respeito ao conhecimento a priori. Mas no atenhamo-nos ao assunto agora. Após passar pela experiência o individuo reconhecerá o certo e/ou o errado na próxima situação. Tenhamos que afirmar assim como o grandioso Aristóteles em Ética a Nicômaco que a virtude, ou melhor, decisão pelo certo ou errado se dá através da percepção e não pela razão. Segundo ele você deve observar a situação, agir sentindo o que certo ou errado e depois deliberar sobre o acontecimento. Então antes da razão a decisão passa pelos sentidos, devemos sentir. Ação contraria a frieza intelectual dos racionalistas. Meus caros colegas, o fato que estamos falando aqui é : Pensar é unir os sentidos e interpretar os sentimentos. Analisemos os grandes gênios e suas aptidões para o que é belo, para as artes, musica ou seja, para o lado emocional, veremos que todos tinham fortes inclinações emocionais. Portanto a razão não é mais tão pura como pensávamos, agora amigos vocês sabem que não devem ser tão frios e racionais perante a vida, e que filosofar e saber olhar com os olhos do coração também. Um abraço a todos, e em especial a Jorge Rosa por ter me adicionado em seu site “Caderno de Filosofia”. Obrigado pelos elogios, sua pagina também é maravilhosa, imperdível para os estudantes de Filosofia. Até a próxima!

sexta-feira, abril 15, 2005

“Ai, o tempo dos pensadores parece já ter passado”

Com essa frase, Kierkegaard faz uma crítica aguda aos pretensos pensadores de sua época e deixa claro que não queria colecionar muitos amigos, mas sim encontrar o caminho (pois a verdade era um caminho) para explicar o que era o amor, ou melhor, o elogio ao amor (o estádio religioso, declarado, falando de Deus, é claro). Já naquela época ele se incomodava com as respostas instantâneas dos pensadores, que mais pareciam cientistas. A reflexão, a calma, a paciência, a dedicação ao objeto de estudo estavam já há muito perdidas. É, ele realmente foi um Pensador, e ele sim, com “P” maiúsculo.

quarta-feira, abril 13, 2005

A escolha

A grande questão é essa, a escolha, mas não uma escolha regrada, refletida, pensada, não uma escolha que precise de critérios, mas apenas uma escolha por si, uma escolha, se me permitem, na essência, mas uma essência subjetiva. O importante, na estética Kierkegaardiana não está no critério, ou na razão da escolha, mas sim, no “poder” de se poder escolher. Portanto meus caros, não está em Kierkegaard, não na estética, a razão, a medida ou mesmo o critério filosófico. Daí o fato pelo qual ele trabalha com três estádios, o estético, o ético e o religioso, nesta ordem. E o primeiro, que no momento me é interessante por eu poder enxergar nele um certo ar do Jardim de Epicuro. Arrisco-me a dizer que Kierkegaard leu a obra de Epicuro e dela retirou, se não parte, uma grande influência para fundamentar o seu estádio estético.

segunda-feira, abril 04, 2005

A utilidade do "rabo preso"

*artigo publicado no meu blog e neste na mesma data*

Enquanto isso, há uma comoção mundial, e ao mesmo tempo uma temerária expectativa. Momento muito propício para relembrar a teoria do “rabo preso” de David Hume, claro que ele preferia chamar de utilitarismo, este sempre enaltecido pela benevolência, mas para mim, prefiro mesmo a classificação de rabo preso. Amigos, confiem em mim, como vai ter gente nova aparecendo e querendo ser útil neste momento histórico pelo qual estamos passando.

segunda-feira, janeiro 10, 2005

Caros companheiro de classe

Estamos em contagem regressiva para o recomeço de mais um período, período esse que creio, irá dar pano para manga e cortará muita gente. Cada período adiante, ficará mais difícil.
Quem já leu ou está lendo os livros pedidos levantem a mão, no meu caso vou continuar teclando e manter minhas mão abaixadas, mas isso não me assusta.

Mais um ano começa, mas acho interessante pensar também que mais um ano se foi e assim vai nossa vida, com começos e fins, as vezes sem meios.

Um abraço a todos e com saudades eu ja espero voltar ao convívio com aqueles que buscam a verdade.

terça-feira, dezembro 14, 2004

A Razão pura não existe!

Oi amigos, bom, mais uma vez estou aqui com um tema polêmico. Desculpas pelo titulo meio apoético mais é de suma veracidade e relevância o tema que iremos tratar aqui. Nós pensamos o sentido como algo ocorrendo em nossa mente. A concepção do sentido como um fenômeno mental que é de alguma maneira intransferível, que é de alguma maneira da esfera do privado. Pensamos primeiramente na capacidade de abstrair os significados das coisas. Como armazenar coisas num HDde computador. Este HD seria o inconsciente lingüístico. Você pode encontrar uma série de exemplos disto no primeiro capitulo de investigações filosóficas de Wittgenstein. Então exercer a linguagem no âmbito social seria antes de qualquer coisa, contar e associar as coisas em suas tabelas de significação. A significação é o domínio de uma técnica e esta não tem nada de mental, ela é absolutamente objetiva e além de objetiva agora antes de mais nada ele é social. Ele depende de uma serie de regras que são abordadas socialmente e controladas. A significação e algo que não possa ocorrer dentro de mim, na minha mente. E não ocorre em meu sujeito isoladamente do mundo projetando para o resto do mundo as suas significações. Não é algo que pode ocorrer em apenas alguns de nós, mas é algo que só pode ocorrer entre nós. É algo só pode estar baseado no acordo que todos nós fizemos para a utilização das palavras em sinais sonoros ou escritos. A razão, portanto, não é algo que possa ser fundada no sujeito, não é algo que possa ser extraída de um sujeito que pensa sozinho no mundo. A razão é agora um jogo social. Ela é fruto de nossas convenções. Mas não negaremos a existência de uma dimensão subjetiva no homem. Por isso estamos rompendo com a concepção que nos acompanha desde Descartes que a razão que pode encontrar no individuo ou mais especificamente na mente humana o seu fundamento ultimo. É nesta dimensão que colocaremos o social, ou o acordo entre as pessoas substituindo as intenções e projeções de um sujeito onipotente, um sujeito que por capaz de si só pode por em funcionamento a maquina da linguagem, ou por em funcionamento a maquina da razão. E não há nenhum ponto anterior que possa por estas convenções em movimento, elas são a origem do movimento. Otto Weininger foi um homem que influenciou toda a Viena na época de Wittgenstein com um livro chamado Sexo e Caráter, onde ele afirma que a marca característica do gênio é a lembrança universal de todas as suas experiências. Por meio da lembrança, a experiência vivida torna-se atemporal. A memória transcende o tempo. E somente aquilo que transcende o tempo é que interessa ao individuo, aquilo que tem significado para ele, em suma, aquilo a que ele dá valor. É o valor que cria a atemporalidade. Assim, o gênio é o único homem atemporal. Com desejo apaixonado e urgente pela atemporalidade, ele é o homem com maior desejo pelo valor. Portanto tudo leva a ver que o gênio não vive isolado do resto do mundo, ninguém aprende sozinho ou pode abstrair coisas do nada, a razão a priori não existe. E de um modo simplificado poderíamos dizer a todos que a razão só existe depois da linguagem e seu bem supremo é a memória. Então eu lhes deixo com uma pergunta no ar, só para ver se vocês pegaram:
E qual é a finalidade última da memória?
Um abraço a todos!

terça-feira, novembro 30, 2004

O Esteta versus O Hedonista

Tendo em vista a apreensão do termo esteta na obra de Kierkegaard, eu escrevo este ensaio para levantar uma pergunta a todos: o esteta é um hedonista? Ora, se o é, qual é a diferença entre a estética e o hedonismo, e se não o é, a diferença encontra-se apenas na questão da escolha, ou ainda reside em algum critério moral? Fiquei realmente em dúvida quando percebi que para algumas interpretações, podemos facilmente entrar em conflito ao usarmos um termo querendo nos referir ao outro. Portanto, meus amigos, peço-lhes ajuda com esta questão que me apareceu agora à noite e que insiste em martelar o cérebro.

Creio, ou suponho crer (mesmo sendo ateu) que o hedonismo tinha como pano de fundo a sociedade grega da época de Epicuro, o que me basta para diferenciá-la da estética de Kierkegaard; porém, os gregos não tinham concepções religiosas tão bem fundadas (?) como no século XIX, daí, o conceito de subjetividade (ainda em Kierkegaard) fazer a diferença, pois se os dois conceitos visam a um prazer (pelo que me parece) comum, só os vamos diferenciar exatamente pela questão moral, pois o esteta kierkegaardiano é um homem só, subjetivo, quer o seu prazer sem escolha e apenas para si e por si mesmo (arriscando-me muito no termo "por si"), já na Grécia antiga, sabemos que não existia este conceito de subjetividade, mas sim de coletividade, mesmo falando de moral. Bem, a questão está aberta a discussões.

sexta-feira, novembro 19, 2004

A nova Hermenêutica da Caverna

Parece que para a insatisfação dos professores de filosofia a Caverna de Platão recebeu uma nova interpretação, porém mais contextualiazada. Através de pesquisadores da UFMG na Alegoria da Caverna de Platão o sentido da metafóra tem mais a ver com o fato do orfismo, berço do espiritismo. O "sair da caverna" é sair do corpo, desencarnar. Ver o mundo que não se consegue ver é ver o mundo espiritual. A luz que cega vinda da fogueira e que está na porta da caverna é a misteriosda luz que se vê entre a passagem desse mundo para o outro. E não conseguir comunicar o mundo existente lá fora para os homens de dentro da caverna é o mito da reminiscência, ou seja, o homem ao voltar para seu corpo ele esquece tudo. Portanto nessa Hermenêutica a Caverna nada masi é que o corpo-humano. Platão recebeu fortissima influêcia dos Pitágoricos e herdou como consequência o Orfismo que acredita na reencarnação e na vida pos-mortem. E toda aquela antiga interpretação de se atingir a sabedoria suprema o Nous era só uma intrpretação pessoal que os filosofos queriam escutar. Platão talvez quizesse comunicar suas experiêcias no mundo espiritual e porém não podia falar abertamente pelo medo de morrer como corrompidor da juventude como Sócrates. Então como belo escritor usou de seus recursos literários para se falar da experiência. Assim como no Brasil na Ditadura e os Tropicalistas. Será então que Platão viajou fora de seu corpo? Será que Platão tinha conciência da vida espiritual, do mundo das almas?
Será?

terça-feira, novembro 16, 2004

Ignorância

Como começar falando sobre algo que eu mesmo abomino?
Sendo bem direto talvez seja uma boa idéia.
A ignorância é uma das responsáveis pelo mal andamento do mundo, digo isso pelos seguintes motivos: O ser humano critica e repudia aquilo que não entende ou não conhece.
O ser humano caçoa e maltrata aqueles que não estão do mesmo lado.
O ser humano não se importa com aquilo que não lhe diz respeito.
O ser humano acredita que ao estar em melhor posição, os outros são meros coadjuvantes.
O ser humano não respeita aquele que não compartilha de sua opinião.
O ser humano é intolerante com tudo que lhe chateia.
O ser humano não procura saber as verdadeiras razões de tudo que acontece.
Existe mais situações, mas deixarei só essas. Por enquanto.
Alguns devem estar se perguntando se sou um revoltado ou se detesto a raça humana.
A questão é, estou simplesmente escrevendo o que vejo.
O homem é um ser extraordinário, com capacidade de fazer tudo o que quizer. É um ser dotado de uma conceitualização formidavel, seguida de um entendimento sem precedentes.
Não estou escrevendo para difamar a humanidade, estou escrevendo sobre um de seus males, posteriormente escreverei sobre seus bens.
A ignorância nasce de diversos aspectos, como o desconhecimento e a brutalidade.
Quando não se tem conhecimento de algo, o ignorante começa a falar bobeira.
Quando uma conversa se torna acalorada, o ignorante começa a xingar e gritar.
A razão some e o que sobra é algo vergonhoso e monstruoso as vezes.

domingo, outubro 31, 2004

Para além do campo visual

*Artigo publicado no meu blog em 15 de Maio de 2004*


Procuro sim a satisfação momentânea, imediata; porém quero além do agora, o amanhã, quero acordar e ter para onde e para quem olhar. A fruição exagerada tem lá suas vantagens, mas creio que também posso encontrar a felicidade na temperança e com isso mais uma vez volto no ponto e na questão da prudência, essa tão falada e tão pouco conhecida, empiricamente falando. Eu que tendo a ser existencialista, volta e meia vejo-me com esses problemas, essa questão que teima em ser sempre proposta, uma quase indecente proposta. E agora?! Viver é mesmo complicado, pior ainda desesperadamente, não é mesmo caro amigo?

quinta-feira, outubro 28, 2004

Místico?

Místicos ou Filósofos?


Parece que o Sr. Bertrand Russel em seu livro "Significado e Verdade", no cap.XXV pág 301 acredita pensar que existem três tipos de Filósofos:A- Os que inferem propriedades do mundo a partir de propriedades da linguagem. estes formam um grupo muito ilustre que inclui Parmênides, Platão, Spinoza, Leibniz, Hegel e Bradley.B- Os que sustentam que o conhecimento é apenas de palavras. Entre estes estão os nominalistas e alguns positivistas lógicos.C- Os que sustentam que há conhecimento não exprimivel em palavras, e usam palavras para dizer-nos o que é esse conhecimento. Entre este incluem os místicos Bergson e Wittgenstein , além de certos aspectos de Hegel e Bradley.Segundo Russel: O segundo deste três grupos malogra pelo fato empírico de que este não é um fato verbal, embora seja indispensável aos verbalistas. O terceiro, dos místicos, pode ser rejeitado como autocontraditorio. Russel só tira proveito do primeiro grupo onde ele acredita haver uma correspondencia da verdade. Bom mas como Russel pode ser tão pretencioso em afirmar que não se pode tirar verdades daquilo que é inexprimivel?Digamos que a Ética e a Metafísica são inexprimivel pois estas só podem ser mostradas e não ditas segundo a lógica do Tractatus. Ou seja se cairmos na ilusão de dizer o que é a essencia das coisas, das palavras e do comportamneto falhamos na medida em que estas estão "presas' ao eu transcendental (diferente de Freud; pseudo-eu) ao mundo como representação, à existência (Dasein), a razão Pura (conhecimento a priori do mundo). Podemos sobre esta ótica apenas de-monstrar o ponto observavel que nos foi empiricamente dado. E não dizer o inexprimivel, aquilo que não pode ser dito. Então se somos classificados como místicos devo me calar para a filosofia e contemplar o belo silêncio da minha total ignorância.

sábado, outubro 23, 2004

Ensaio sobre a fé

Primeiro Tomo


Um homem, ao nascer, adquire algumas habilidades que ninguém mais as pode retirar, salvo se o matar. Dentre essas habilidades, está o instinto, que neste momento, é o que impera, pois ele, o homem ainda não foi inserido numa cultura predominante.Esse inatismo é predominante até que o processo cultural seja estabelecido, mas o que importa neste ensaio é o fato de se poder perceber que as aptidões racionais humanas já nascem conosco, como a luta pela sobrevivência, e neste caso não se trata de uma luta contra outrem, mas sim, uma luta a favor ou pelo favor de outros, já que o homem é um dos animais mais frágeis que a natureza conhece enquanto “filhote”.

Verifica-se que o homem desde cedo precisa de alguém, e dependendo do processo ao qual fica inserido, ficará sempre preso a quem quer que seja.

Nesse estágio não existe fé, não existe uma crença em alguém ou algo no sentido religioso ou teológico, existe sim uma dependência física e que nada tem a ver com a dependência de um Deus para ser o centro de suas crenças e esperanças.

Então a fé, como muitos a praticam e conceituam atualmente advém de fatos externos e não internos, pois uma pessoa com fome não precisa de fé, mas sim de comida, e da mesma forma acontece com todas as necessidades físicas, fisiológicas e sexuais. A fé nasce dentro de um contexto social e familiar como um padrão de comportamento a ser seguido de maneira imposta, e sem qualquer possibilidade de escolha. O homem então passa a não ser mais o dono de suas necessidades e se vê como um fantoche ou como um prisioneiro dentro de seu próprio eu, sendo que essa prisão e essas cordas foram colocadas por outrem, mas sem que ele tenha se manifestado contrariamente. É nesse ponto que a fé começa a agir com mais intensidade e o homem se perde, pois se policia o tempo todo, controla-se e censura-se, uma vez que sempre há algo ou alguém dito superior que o vai julgar sobre determinados atos. O interessante é que a fé tende a agir de forma negativa e não positiva. Creio mesmo que a fé enquanto um instrumento de alívio ou bem-estar espiritual só pode ser realmente compreendida por teólogos e/ou cristãos mais ortodoxo.

Imaginemos um homem que nasce livre, escolhe e sacia todas as suas necessidades mais básicas, mas que se vê na obrigação de seguir algo que lhe é imposto e que não se pode comprovar, garantir ou provar usando argumentos racionais, lógicos, claros e objetivos.

A fé controla o homem e não o homem a fé. Fé, que traduzindo do termo latino Fides tem os seguintes significados: fé, boa fé, lealdade, sinceridade; veracidade, consciência, retidão, fidelidade, honra, dever, justiça, honestidade, integridade, probidade, dentre outros sinônimos. Logo, não há como ter a inocente impressão de a fé ser uma coisa boa em si, pois no seu significado encontramos imposições, controles, limites e arrisco-me a dizer, obrigações para seus praticantes.

terça-feira, outubro 19, 2004

Artigo Inaugural

Olá companheiros Pensadores! Vou inaugurar este espaço com um um artigo que gostei muito de escrevê-lo e que se encontra em meu blog. Trata sobre o erro dos metafísicos. Bom, os filósofos metafísicos deixaram-se enredar nas teias dos chamados “problemas filosóficos” porque se iludiram procurando descobrir a essência da linguagem, algo que estivesse oculto atrás dela. Na verdade, não existem “problemas” filosóficos, mas somente “perplexidades”. Com isso, quer dizer que de nada adianta ao filósofo tentar encontrar soluções, procurando uma suposta realidade escondida; em filosofia nada existiria de oculto e todos os dados dos chamados “problemas” estão sempre ao alcance da inteligência. Quando esses dados não possibilitam qualquer solução, se está diante de um beco sem saída, e nada mais. E mesmo para um problema pode se encontrar perfeitamente a solução; mas inquirir sobre a natureza última das coisas é colocar-se num labirinto, aparentemente sem saída. A saída, contudo, só seria possível se simplesmente se libertar da idéia que existam labirintos. E mesmo que a Metafísica esteja em nível inexprimível, transcendental onde não pode ser conhecida e nem pensada, ela não poderá também ser formulada lingüisticamente. E isto nos levará a uma séríe de outras conclusões.Analisando então sobre a ótica do modo lingüístico, podemos então afirmar,assim como Wittgenstein, que a Filosofia seria então uma crítica à linguagem. E que os filósofos o tempo todo estariam postulando coisas que estariam propositadas na própria linguagem. Esta crítica da linguagem nos mostra que só podemos levantar dúvidas onde questões autênticas possam ser formuladas; e questões autênticas só podem ser feitas quando respostas adequadas podem ser dadas; e respostas adequadas só podem ser formuladas quando algo possa ser dito. Ora, assim a metafísica será inexprimível e não poderá ser dita; portanto, nem respostas nem questões metafísicas poderiam ser formuladas. De um modo geral, a técnica cética é a mais utilizada na tradição filosófica. Esta técnica consiste em opor a dada proposição a proposição contrária, estabelecendo assim uma equipotência entre ambas. Esse procedimento se torna insolúvel a questões metafísicas ligadas àquelas proposições.O ceticismo não é irrefutável, mas um contra-senso, e ao levantar dúvidas estabelece a indecibilidade das questões metafísicas.Assim, ao aceitar que a questão metafísica possa ser expressa pela linguagem, os céticos tentariam dizer o que não poderia ser dito, e automaticamente ingressariam no domínio do contra-senso. A dúvida cética não é irrefutável porque não pode sequer ser estabelecida como dúvida. Essas considerações permitem entender por que a metafísica tradicional foi tão controvertida. Os metafísicos se disputaram interminavelmente porque, sem terem passado pela clarificação conceitual, tentaram decidir entre contra-sensos alternativos. Os céticos também padeceram sobre a falta de clareza intelectual; eles têm apenas as características especiais de construir oposições entre contra-sensos, mostrando as suas “indecibilidades”.contra-sensos, mostrando as suas “indecibilidades”. Até a proxima amigos!